Leram o destaque do Público de hoje? É a história da disputa por uma menina, filha de pai incerto e adoptada por um casal ao qual a mãe informalmente confiou por falta de meios. Entretanto o pai foi encontrado e tenta agora obter a custódia da menina. E o que aconteceu de especial na história, perguntam? O pai adoptivo passou o Natal na cela por perigo de fuga – a mãe adoptiva e a menina estão em lugar incerto para não entregar a criança.
É uma situação complicada – para a menina, para os pais, para o tribunais que vão ter que decidir o futuro destas famílias e para aquele homem que entende reclamar agora a sua cria, e não é certo que a lei possa ser interpretada no melhor interesse da criança. O que não justifica de modo algum o sensacionalismo e demagogia presentes nos artigos. Atentem na elaborada construção deste artigo que acompanha o caso: Em nome dos interesses da criança
A jornalista começa com a história de um qualquer condutor bêbado homicida que continua a conduzir;
Prossegue com um toxicodependente que ataca selvaticamente uma mulher e que aguarda julgamento em liberdade;
Nenhum dos anteriores está envolvido nesta disputa. Termina com o nosso pai adoptivo que
“Por apego a uma criança, pela convicção de estar a zelar sobre os seus superiores interesses, o homem, que a acolheu bebé, foi privado da sua liberdade, foi condenado a passar o Natal na cadeia, sozinho e sem contacto com a família.”
Como se atreveu a tal a cruel, a «vaca» da juíza, se há comprovadamente tanto bandido que a justiça deixa em liberdade indefinidamente?
O 24 horas não teria feito melhor…
MAs há mais. Querendo ir ainda mais longe, a jornalista decide fechar com chave de ouro (negritos meus):
Ao tomar esta decisão, os juízes do tribunal de Torres Novas agiram livre, deliberada e conscientemente, bem sabendo que o tribunal da Relação de Coimbra ainda não se pronunciara definitivamente acerca do recurso interposto pelo casal adoptante.
Mas certamente isso não lhes pesou na noite de Natal. Paula Torres de Carvalho
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