O puto mais velho cá da casa, 6 anos, cumpre mais logo aquela que será provavelmente a avaliação mais importante dos próximos anos: a candidatura a um programa bilingue(com inglês) numa escola aqui perto. Se for seleccionado estará entre uma turma reduzida de crianças motivadas e espertas, que o estimularão a desenvolver as suas capacidades. Quase metade dos candidatos fica de fora.
Quando em Fevereiro foi à apresentação da escola ri-me do nervoso dos outros pais. Queriam saber quais os atributos valorizados, que características seriam avaliadas, se os tímidos seriam prejudicados. Pelas respostas evasivas da professora percebi que o exame de aptidões, mais do que a selecção natural dos melhores, era o pretexto para seleccionar alunos interessantes e interessados. Ao contrário dos outros não estava nada nervoso. Sabia – sei que em condições normais o miúdo entra no programa. Pelo seu interesse em línguas, pela sua motivação e curiosidade, pela sua personalidade radiante – babo-me mas ele é realmente assim, sei que não terá dificuldades. Todavia não consigo evitar alguma ansiedade. Há uma pequena probabilidade de ele se espatifar, um dia que corre mal. Sei que não vai acontecer mas não consigo evitar.
Bem avisava a professora. Nestas ocasiões os pais estão sempre mais nervosos que os filhos
Entries Rss

Boa sorte!
1. Nestas alturas, são sempre os filhos a dar umas valentes lições de sangue frio aos pais.
2. Nada mais natural do que um pai babar-se com os seus filhos. Eu também sou assim.
3. O mais difícil nestas situações é a gestão das expectativas. Pelo menos neste ponto eu tenho/tento ter muito cuidado, para evitar frustrações desnecessárias.
Estás a falar das expectativas dos putos, certo?
Obrigado. Para a semana já sabemos. Ele disse que eram muitas tarefas e que se enganou numa.
E que corrigiu o nome dele, que tinham mal escrito…
“o exame de aptidões, mais do que a selecção natural dos melhores, era o pretexto para seleccionar alunos interessantes e interessados.”
Mas näo é o exame é a forma de selecção natural dos melhores? Ou referes-te a critérios subjectivos? Ou, quiciá, que dissessem “temos aqui um agregado de provas físicas e intelectuais, os primeiros a chegar à meta entram”…
“E que corrigiu o nome dele, que tinham mal escrito…”
Ora TOMA!
Ah ganda J!
Compensa bem o erro que ele próprio detectou!
E se 1/2 fica de fora, isso quer dizer que 1/2 entra, logo näo há com que se preocupar!
Sim, estou a falar das expectativas dos putos. Nós já somos crescidinhos para sabermos gerir as nossas expectativas e frustrações (será?).
Acho pormenores como a correcção do próprio nome deliciosos! São a prova da descontracção e naturalidade com que os miúdos enfrentam estas situações.