O fim da “nossa” internet

cabo

O assunto é importante, leia com atenção.

O leitor usa ou conhece o Skype, um serviço que lhe permite fazer chamadas para a rede fixa da PT e de qualquer outro país a 2 cêntimos por minuto? Em cada minuto poupa alguns cêntimos nas chamadas nacionais e muitos nas internacionais… Um momento, o leitor não estará por acaso ligado à internet pela PT (Netcabo, Sapo)? Por quanto mais tempo acha que a PT lhe vai tolerar o uso de um serviço que lhe come nos lucros, servindo-se das linhas e cabos da mesma PT?

Frequenta os leilões do Ebay, caro cliente do Clix? Mas para quê se tem os leilões do Miau (leiloes.clix.pt) à mão e ainda por cima do mesmo fornecedor? E rádio, conhece a Pandora, um serviço personalizado que lhe produz uma estação a partir de uma banda ou música? Mas se é cliente clix… Esqueça. O cotonete (cotonete.clix.pt) não lhe basta?

Usa o Yahoo para a suas pesquisas, caro cliente do SapoADSL? Mas não acha que esperar 10 segundos é um pouco demais? Siga a sugestão do fornecedor e utilize o SapoPt, de acesso imediato. Estes motores de busca americanos são um pouco lentos no SapoADSL, deve ser da distância…

Quer mais exemplos? Dowloads de videos do Googlevideo e de músicas do iTunes? Nope. Estão à venda na loja do clix/sapo/nome-do-seu-ISP. O ISP é quem manda nas suas linhas e nos seus cabos, não é verdade? Têm o direito de decidir e priorizar quais os pacotes de informação que circulam nas suas redes, quais os serviços e sites a que pode aceder, certo?

ERRADO. Os ISPs contratam connosco o fornecimento de um serviço, a uma determinada velocidade, prometendo em troca permanecer neutros face às nossas escolhas enquanto internautas. Se os ficheiros que circulam na rede são demasiados ou muito grandes, a solução está em aumentar a capacidade ou subir o preço do serviço. Os ISPs esperam por esta aberta legislativa para lançar mão de uma serie de taxas discriminatórias para encher a bolsa, diferenciar os serviços e beneficiar as suas actividades e de parceiros.

Os exemplos que apontei poderão parecer alarmistas, e ainda que os ISPs nunca se atrevessem a ir tão longe por temerem legislação em sentido contrário ou a revolta dos clientes, na prática, é isso que poderá acontecer. O Skype deixará de ser tão atractivo se custar 4 ou mais cêntimos por minuto, talvez o ebay não esteja muito interessado no mercado português se tiver que pagar uma taxa ao ISP por cada visitante português. A pandora nunca teria surgido porque competiria com as radios dos grupos de media que também controlam os ISPs.
O Google, Yahoo, Ask, Microsoft e outros que fazem milhões com as receitas dos cliques nos anúncios das suas pesquisas, seriam aconselhados a partilhar com as “entidades” que lhes facilitam o contacto com os clientes ou poderiam demorar a carregar o site… Idem para os downloads de músicas e filmes, sobretudo legais. Novas Startups revolucionárias como o Google (tem 10 anos de vida) terão as asas cortadas à partida – ou aceitam fazer o jogo dos tubarões. Já mencionei que o suposto objectivo dos ISPs é o de melhorar o serviço aos clientes? Pois…

Mas onde, se é ilegal para os fornecedores interferirem nas nossas escolhas? Aí mesmo em sua casa, caro leitor. Por agora só nos EUA, mas se o lobby dos ISPs conseguir passar a legislação que pretende, não tenha dúvidas que chegará a nossa vez:

O que poderá estar em causa – a ser aprovada uma alteração proposta pelos maiores operadores de telecomunicações – é o acesso em condições de igualdade a todos os sites disponíveis. O plano em cima da mesa aponta no sentido de que as ditas empresas possam ‘ordenar’ a web em patamares de acesso, dependendo essa ordenação das taxas cobradas aos sites.
A ser dado este passo nos Estados Unidos é bom de ver que operadoras de telecomunicações do resto do planeta sentirão aí o apoio necessário para pressionar os seus governos ou autoridades supra-nacionais no sentido de haver ‘conformidade’. Continue a ler no ATRIUM.

Esta conformidade pode surgir como um apelo para estar em igualdade de circunstâncias com os comcorrentes americanos ou o cínico assumir da bandeira nacionalísta: “não seremos nós a pagar a internet dos americanos“. Os abrutes estão à espreita e preparam-se para tomar conta da internet que construímos.

Aliás, já começaram a pressionar. Lembro-me de há poucas semanas ver uma notícia no googlenewsPT referindo a necessidade de um imposto sobre os telefonemas pela internet… Tanto melhor se for o próprio ISP a cobrar esse imposto.

-> Saiba mais em SaveTheInternet.com (algum site em português?). Fale do assunto no seu blogue, no seu forum, ou grupo. Linque ou copie simplesmente o texto, se quiser (dispenso o enlance que não foi para isso que escrevi o texto). A informação é a nossa arma.

[21.11: Comentários encerrados por causa do spam.]

5 Responses to “O fim da “nossa” internet”


  1. 1 João Cavaleiro Junho 30, 2006 às 11:40 pm

    Sem dúvida que se for uma atitude levada a cabo por parte dos nossos ISPs devido à iniciativa norte-americana, irá dar bastante que falar.

  2. 2 aNtónio Julho 1, 2006 às 1:33 am

    Se der que falar já é um começo, caro João. Normalmente este tipo de leis passam pela calada e quando toda a gente está a olhar para o lado.

  3. 3 maremoto Julho 9, 2006 às 11:02 am

    vou colocar um link no meu papiro. obrigado.


  1. 1 Adufe 3.0 :: Skype Me! :: July :: 2006 Trackback em Julho 8, 2006 às 6:51 pm
  2. 2 Há Mouro na Costa » Blog Archive » O fim da Internet -II Trackback em Julho 21, 2006 às 1:41 am
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