Em inglês há uma expressão para reacções espontâneas e, todavia, esperadas:”knee-jerking“. Ontem, algumas horas depois de a RTP ter exibido reportagem alguém chegou a este blogue procurando no google “aprenda finlandês”. A minha reacção, à reportagem da RTP “Nós e a Finlândia” e a esta coincidência foi publicar o artigo da yle que sobre empregabilidade de estrangeiros na finlândia, notícia do dia e que está também em discussão em vários outros forums. No finnish, no (good) job, é a realidade e quem cá vive sabe como é dificil alcançar uma fluência aceitável no finlandês – ou fácil ficar pelo inglês…
O trabalho da jornalista é bastante bom, particularmente a selecção das declarações do entrevistado, mas transmite uma ideia exagerada, talvez idealizada do país. Os temas dissecados foram, em minha opinião, abordados sob a prespectiva que é mais favorável à Finlândia. Não é que a Finlândia não tenha melhores condições mas não faz sentido comparar os dois países num plano de igualdade, as diferenças são por demais óbvias.
Há no trabalho óbvias imprecisões e que não sendo cruciais transmitem uma imagem que não corresponde à realidade: claro que há filas de trânsito, são é ridicúlas ao lado das portuguesas; os transportes públicos não são sempre pontuais, mas estão entre os melhores do mundo. A preferência pelos transportes públicos também se deve em parte ao elevado custo de vida, o custo de circular na cidade com carro e que, apesar do rendimento elevado, os finlandeses estão entre os que acumulam menor riqueza na EU (15) -(38750 $ em ppp, o valor equivalente para Portugal é 53, 350$ – pág.61 do relatório). Apesar da preferência da Outi pelos serviços de saúde públicos a maior parte das empresas oferece aos seus trabalhadores mais qualificados planos de saúde privados; finalmente os exemplos utilizados para ilustrar os conhecimentos que os alunos num e noutro país devem adquirir no terceiro ano são ridículos e, quase que diria, escolhidos a dedo para compôr as fotografias.
Porventura o erro mais grave é a conclusão que um português paga mais impostos que um finlandês – a não ser que tal conclusão se baseie na forma como são gastos os nossos impostos. Comparar impostos que incidem sobre salários de 13000 euros não faz sentido, o salário correspondente em Portugal é bem mais baixo.
Finalmente, duas notas pessoais: a maternidade é excelente, do melhor que há no país, e há realmente alguns quartos reservados para famílias – eu fiquei num 2000. A escola primária da reportagem fica a 700 metros daqui e, de acordo com as regras, deveria ser a escola do J. a partir de Agosto próximo – se não tivesse sido vetada pela mãe. Terei talvez que mudar de casa nos próximos meses 🙂
Entries Rss

Obrigada, já encontrei ontem 😉 Também achei bom, mas em relação aos impostos concordo com você… não conheço o sistema de Portugal assim, mas como aqui a progressividade é o que faz ganhar difícil, o exemplo não fez sentido mesmo.
Mudando de tema, nos já conhecemos de algum lado? Nem fiz mais pesquisa, só por curiosidade resolvi responder aqui.
Abraço, Teea
Olá,
acho que me lembraria do nome se tivesse conhecido 🙂
de qualquer forma tenho andado com amnésia…
Descobri o blog pelo link que fizeste para a Lusofin, vi no sitemeter 😆
Obrigada pela forma atenta como viram a resportagem. É um bom sinal.
Em relação aos 13 mil euros – eu explico por que se optou por este montante : uma vez que na Finlândia não se paga menos do que 1000 euros/mês a um trabalhador, não faria sentido trabalhar a formula matemática de cálculo com base no nosso ordenado minimo nacional(o português).
Para além deste dado, tb os outros foram fornecidos por organismos oficiais : Embaixada da Finlândia em Portugal, INE e respectivos ministérios portugueses. Isso estava referênciado no final da reportagem.
Mais uma vez obrigada pela forma atenta como viram a reportagem.
Até breve.
Mafalda Gameiro
Olá e obrigado por comentar, Mafalda.
A questão dos impostos é bastante complexa, uma comparação teria de estabelecer paridades com o poder de compra (veja por exemplo na tabela que ligo, o capital acumulado em valores nominais de PT , creio, é algo como 33000 dolares e não 53000, o valor ppc), comparar os diversos escalões e poderia até comparar a incidência fiscal – que surpreendentemente não é assim tão díspar como se poderia esperar. Um português que ganhe 13o00 euros ano “ganha” bem mais do que um finlandês com um rendimento igual, logo é natural que pague mais impostos.
Outra coisa, na reportagem fica uma pergunta por fazer” à entrevistada – ou pelo menos nas partes que foram editadas:
“O que a faz continuar em Portugal se a vida na Finlândia poderia, aparentemente, ser muito mais simples?”
Não que eu coloque em causa as opções da senhora – como se tivesse esse direito. Até que a compreendo.
olá, muito boa tarde, chamo-me Susana Duarte e estou a contactá-lo porque tenho andado à procura de algum contacto da jornalista mafalda gameiro que fez a reportagem “quando a violência vai à escola”. Reparei que ela já tinha feito um comentário ao seu site, mas não consegui, a partir daí, descobrir o seu email.
Como reparei no seu interesse pelo trabalho desta jornalista pensei que talvez a conhecesse ou talvez tivesse o seu contacto. Sou uma aluna finalista de jornalismo e uma professora minha (Helena Garrido) pediu-me para que falasse com a jornalista sobre a reportagem em questão e mesmo se ela nos conseguiria emprestar a reportagem para a vermos em aula e analisar deontologicamente.
Se fosse possível, agradecia-lhe imenso que me pudesse ceder o seu contacto para o email: .
Muito Obrigada, Susana Duarte
Olá Susana,
já tentou a RTP? Alguem me fez a mesma pergunta e eu sugeri nomeproprio.apelido arrroba rtp.pt e parece ter resultado. Eu nao conheço a Mafalda, ela apenas tratou de procurar no google por feedback ao trabalho dela.
Porvavelmente ela deixou o email ali quando escreveu a mensagem mas se eu for espreitar nao lho poderei dizer. Compreenda, é confidencial.