Ensopada de Natal

Leram o destaque do Público de hoje? É a história da disputa por uma menina, filha de pai incerto e adoptada por um casal ao qual a mãe informalmente confiou por falta de meios. Entretanto o pai foi encontrado e tenta agora obter a custódia da menina. E o que aconteceu de especial na história, perguntam? O pai adoptivo passou o Natal na cela por perigo de fuga – a mãe adoptiva e a menina estão em lugar incerto para não entregar a criança.

É uma situação complicada – para a menina, para os pais, para o tribunais que vão ter que decidir o futuro destas famílias e para aquele homem que entende reclamar agora a sua cria, e não é certo que a lei possa ser interpretada no melhor interesse da criança. O que não justifica de modo algum o sensacionalismo e demagogia presentes nos artigos. Atentem na elaborada construção deste artigo que acompanha o caso: Em nome dos interesses da criança
A jornalista começa com a história de um qualquer condutor bêbado homicida que continua a conduzir;
Prossegue com um toxicodependente que ataca selvaticamente uma mulher e que aguarda julgamento em liberdade;
Nenhum dos anteriores está envolvido nesta disputa. Termina com o nosso pai adoptivo que

“Por apego a uma criança, pela convicção de estar a zelar sobre os seus superiores interesses, o homem, que a acolheu bebé, foi privado da sua liberdade, foi condenado a passar o Natal na cadeia, sozinho e sem contacto com a família.”

Como se atreveu a tal a cruel, a «vaca» da juíza, se há comprovadamente tanto bandido que a justiça deixa em liberdade indefinidamente?
O 24 horas não teria feito melhor…

MAs há mais. Querendo ir ainda mais longe, a jornalista decide fechar com chave de ouro (negritos meus):

Ao tomar esta decisão, os juízes do tribunal de Torres Novas agiram livre, deliberada e conscientemente, bem sabendo que o tribunal da Relação de Coimbra ainda não se pronunciara definitivamente acerca do recurso interposto pelo casal adoptante.
Mas certamente isso não lhes pesou na noite de Natal. Paula Torres de Carvalho

8 Responses to “Ensopada de Natal”


  1. 1 Sabine Dezembro 26, 2006 às 9:58 pm

    Pedido de ajuda off-topic:

    insustentaveleveza.blogspot.com/2006/12/pedido-de-ajuda-para-trabalho.html

  2. 2 Mexilhão Dezembro 28, 2006 às 2:34 am

    O jornalismo português resvala a grande velocidade para o sensacionalismo com o objectivo único de vender e os nossos jornalistas já foram mais críticos das notícias que fabricam. A luta pelos leitores é igual à luta pelas audiências televisivas: reduzem a informação ao que de mais primário cativa as pessoas – a fofoca, o incrível e o espectacular.

  3. 3 filpa Janeiro 6, 2007 às 2:38 am

    Tem que me desculpar, mas acho incrível ainda hoje os Portugueses, especialmente os homens, acharem “sensacionalista” noticias sobre crianças.
    Evidente, que o seu artigo, desculpe, está errado.
    Felizmente para si.
    Talvez porque o artigo, e aí deverá ter razão, pelos excertos publicados, não ajuda.

    O caso é gravíssimo, e só felizmente para si, não percebeu.

    Para já, o Pai sempre tentou ter a filha.
    Será isso crime?
    Um pai ter a filha?
    Andar à anos e anos, atrás da sua filha?
    Segundo, não existe casal adoptante…. sim, alguém que sabe que existe um casal qql, repare, e que não entrega a criança, ao Pai.
    Como é que isto se chama? Geralmente, crime, e foi o sujeito preso, por rapto.
    Terceiro, a mãe entregou “informalmente ” a filha a “terceiros”, e depois o “pai” foi encontrado?
    Ora pense lá, como é que isso aconteceu….
    Entregou “informalmente”?
    E depois o pai “apareceu”?
    Que quer isso dizer? Pois, depreendo que só quem conhece vários casos, geralmente sabe. Confesso que li outra noticia, que ajudou a esclarecer. Mas não “se entrega crianças informalmente”, repare, por mais vitimas que façamos das mamás, e dos pais os maus da fita (menos nós).

    Sei, só acontece aos outros, e os homens são todos maus, menos nós.
    Mas não é bem assim.

    Será esse Pai, o único, mau pai por amar a filha?
    Será que devia desistir da filha, porque a mãe , a pobre mãe, entregou “informalmente” a filha?
    Mesmo que fosse um tribunal, devia um Pai desistir da filha?

    Mas concordo consigo. A noticia, não ajuda a se perceber nada da história.
    Discordo que seja sensacionalista, nada sobre crianças o é. Os homens ainda tendem a ver, as crianças, como histórias de “emoção”, mesmo que não seja o seu caso.
    Mas concordo, que muitas histórias, são tratadas de maneira “sensacionalista”, e “baldes de sangue”…. fiz algo, para acabar para isso.
    O possível.
    Nunca será acabado, mas pelo menos, que ponham algum sangue de lado, e factos no raio das histórias.

    Daí talvez, a confusão reinante, nos termos utilizados, em que o “pai adoptivo”, lol, ainda faz de vitima, por não entregar a filha ao pai.
    Curiosamente, a noticia nem aparece sem ser no serviço pago.

    Espero que não o tenha “xateado”, mas não foi essa intenção-
    Um grande abraço- ?:o)

  4. 4 aNtónio Janeiro 6, 2007 às 3:22 am

    Leia de novo, nada do que eu escrevi é sobre a disputa da criança. É sobre o trabalho abjecto da jornalista.

    Sou pai, sei o que penso da minha relação com os meus filhos mas tambem aceito que por vezes à coisas mais importantes do que as relações de sangue. Isto para dizer q nao tenho opiniao sobre o detino a dar à pobre.

  5. 5 rosario marques Janeiro 20, 2007 às 12:28 pm


    Revolta-me.

    Não entendo o que se passa e isso faz-me confusão.

    Como é possivel que os media se tenham unido todos a favor da causa, sem qualquer opinião contra? e para mais, ainda com a colaboraçao da mulher do Mário Soares!

    Não entendo!
    Quem quer adoptar uma criança, espera anos e anos, e este, só pk foi a mãe a entregar lhe a criança, tem logo direitos?

    Então, que sejam as mães, todas as mães, a entregar as crianças, não é?

    Olhem só o que se poupava em tempo para a adopçao e nos serviços q tratam do assunto!

    Alias, então porque se leva tanto tempo a investigar as pessoas q querem adoptar?

    Afinal, a mae que entregou a filha, fez essa investigaçao num abrir e fechar de olhos apesar de nao ter qualquer especializaçao para o fazer.

    Que diabos! Num país onde grassam os raptos dos filhos feitos pelos conjuges desavindos e em situaçao de divorcio, e que nunca mobilizaram ninguem, apesar dos muitos esforços nesse sentido

    Aparece agora uma tao grande – e espontanea – adesao a uma causa que nao tem qualquer suporte legal visto que, nem mesmo existe uma adopção, ou um projecto legal de adopçao????????

    Até porque o pedido de adopçao foi indeferido no tribunal de primeira instancia ha dois anos, o senhor agora condenado é que nao acatou a decisao!

    Passamos a defender o fazer justiça por proprias maos à medida de cada um???????????

    Juro, que isto me revolta!

    (E, coisa estranha! até tenho medo de sofrer represalias, so porque tenho opiniao contraria!)”

  6. 6 Sandra Janeiro 22, 2007 às 12:38 am

    Cara Rosário Marques, infelizmente há histórias bem mais cabeludas que esta e que não vêm a público.
    Nesta estória há coisas mal contadas de ambos os lados, mas isso torna-se irrelevante quando está em causa uma menor, inocente e que a realidade dela são os pais que a criaram sempre. Aplicava-se aqui de maneira sublime a Lei de Salomão, sábio juíz e talvez o desfecho fosse surpreendente… gostava de saber qua l a decisão do pai biológico nessa situação… sem indemnizações nem mais valias! Uma questão para pensar… não???

  7. 7 Adelaide Carvalho Outubro 2, 2007 às 5:31 pm

    O que verdadeiramente me indigna neste caso é esconder-se a exploração da Senhora brasileira. Ficou grávida e informou o progenitor. Procedeu honestamente. O português sacudiu a água do capote … . A lei portuguesa nem se manisfestou quanto a este aspecto.

    Se a mãe da criança fosse mais culta e portuguesa, digamos uma meritíssima Juíza, o pai biológico nunca teria sabido da existência da filha porque ela esconderia o seu nome do MP.

    A mim, o facto de o português ter explorado uma brasileira fragilizada envergonha-me muito


  1. 1 O caso esmeralda « Há Mouro na Costa Trackback em Janeiro 20, 2007 às 7:32 pm

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